sábado, 6 de maio de 2023

Sítio do Picapau Amarelo - Monteiro Lobato

 


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AS AVENTURAS DO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO DE Monteiro Lobato representaram um novo rumo, um marco de qualidade e inovação na literatura produzida para crianças.

 

Antes de Lobato, os livros nacionais priorizavam questões morais e patrióticas, acreditando que a ênfase na fantasia prejudicaria o desenvolvimento da criança. O sonho e a imaginação surgiram em 1921, com A menina do narizinho arrebitado — mais tarde reescrito com novas aventuras e publicado com o título Reinações de Narizinho, em 1931. E, desde então, o real e o imaginário ocupam o mesmo espaço: bonecos falam, bichos falam, fazem viagens maravilhosas com o pó de pirlimpimpim, e as duas adultas, Dona Benta e Tia Nastácia, aceitam e participam desse mundo de sonho.

 

A linguagem informal foi outra inovação nos livros do escritor: o tom coloquial nos diálogos, sem “literatices”, mas com gírias e neologismos, como em Reinações de Narizinho:

                                     



 E canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo.

 

Lobato surpreendeu ao apresentar temas considerados sérios para crianças, como a Segunda Guerra Mundial. O escritor viveu na época das grandes guerras, tema recorrente em seus livros. Até em Os 12 trabalhos de Hércules os personagens abordam o assunto com o herói, que fica perplexo

      



— Mas então a vida lá no tal mundo moderno é um horror. Se chovem sobre as cidades bombas do céu, como se arranjam as mulheres e as crianças?

— Vão todas para o beleléu. Ficam reduzidas a farelo. (...) Cidades inteiras desaparecem em horas.

 

 Lobato também inovou ao criar, na década de 1920, personagens crianças que dialogam com adultos de igual para igual e são sujeitos da ação. Narizinho, Emília, Pedrinho e Visconde tomam decisões e solucionam os problemas. Em O Picapau Amarelo, Dona Benta não consegue comprar as terras dos fazendeiros vizinhos que pedem o dobro do valor. Emília e Visconde seguem para o bar do Elias e lá espalham uma grande mentira:

 


                                     

— Brincadeira nada! Dona Benta não brinca. Vai fazer aqui a maior criação de feras do mundo. Chegam agora esses 200 rinocerontes ferocíssimos! Depois vêm os leões que estão sendo caçados, 300 leões! (...)

Ao ouvirem, os proprietários mudam de ideia:

— E esta, compadre! Se o raio da velha vai mesmo fazer isso, nossas fazendas, que já pouco valem, ficarão valendo ainda menos! Aquilo que o pelotinho de gente disse é certo! Os animais têm um medo horrível das onças e outras feras! (...) O melhor é aceitarmos a proposta da velha!


 



 

 


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