quinta-feira, 16 de abril de 2026

A Gatinha Nevinha e os Amigos do Condomínio


A Gatinha Nevinha e os Amigos do Condomínio

                                                                        VERSÃO INFANTIL*

Era uma vez, no Condomínio Horizonte Azul, um lugar grande com 40 casinhas empilhadas como blocos de montar. Lá moravam famílias alegres, crianças correndo e um jardinzinho cheio de flores. Um dia chuvoso, uma gatinha miudinha apareceu na porta. Ela era branquinha com manchas marrons, olhos azuis como o céu e chamava-se Nevinha. A vovó Clara, do apartamento 305, a encontrou e disse: "Você vai morar comigo, minha fofinha!"

Nevinha adorava pular no sofá, ronronar no colo e correr atrás de bolinhas de lã. Mas nem todo mundo ficou feliz. Metade dos vizinhos queria que Nevinha fosse para um abrigo de bichinhos. "Ela solta pelos no jardim e mia à noite!", reclamava a tia Lúcia, que espirrava muito. O tio Coronel, bravo, dizia: "As regras do condomínio não deixam gatinhos nas áreas comuns!"

A outra metade amava Nevinha. O menino Pedro, do 701, brincava com ela todo dia. O vovô do 102 contava histórias enquanto ela dormia no colo. "Ela é boazinha e faz companhia!", gritavam. Todo mundo se reuniu na salinha de festas para votar. O síndico Seu João, coçando a cabeça, explicou: "Em outros condomínios, os síndicos tiveram problema por não seguir as regras sobre bichinhos. Temos que decidir com cuidado!"

Nevinha, olhando da janela, pensava: Eu só quero brincar e ser amiga de todos. Por que tanta briga? As discussões viraram uma grande confusão: papéis voando, risadas e até um "miau" alto de Nevinha, que escapou e pulou na mesa!

No final, ninguém ganhou sozinho. Decidiram um meio-termo: Nevinha ficaria com vovó Clara, mas só entraria no jardim com coleira e escovinha para pelos. Seu João atualizou as regras para serem justas. As crianças fizeram um cartaz: "Nevinha é nossa amiga!" E todos aprenderam que, às vezes, um pouquinho de conversa resolve as brigas. Nevinha ronronou feliz, pulando de colo em colo. E o condomínio virou o mais amigo de bichinhos da rua!

* Versão adulto no blog profjorgeluizmuniznotasemais.blogspot.com

                                                                                                            Jorge Luiz M Muniz

domingo, 5 de abril de 2026

Resgate no Riacho de Cristal

 


Resgate no Riacho de Cristal

                                                            Vovô Jorge Luiz  

Na beira do Riacho de Cristal havia uma lagoa redondinha e brilhante, onde a Família Pato vivia dias felizes. A água era limpa como espelho, cercada por capim macio e flores miúdas. Os patinhos passavam as manhãs mergulhando, fazendo corridas de nado e brincando de desenhar círculos na água com as patinhas. Acima dali a Dona Montanha vigiava tudo em silêncio, alta, robusta e cinzenta. Mas, numa tarde, ouviu-se um som forte: rrruuum! Uma grande pedra se soltou e rolou montanha abaixo até bloquear a passagem da água.

Sem a correnteza, a lagoa começou a baixar. A lama apareceu nas bordas, o chão ficou rachadinho e os patinhos olharam com muita tristeza, para o lugar onde antes nadavam e brincavam alegremente. Mamãe Pata e Papai Pato ficaram aflitos. Outros animais da floresta também se preocuparam, pois todos bebiam daquela água fresquinha: passarinhos, macacos, onças, coelhos e veadinhos paravam ali todos os dias.

Foi então que Ben apareceu. O grande urso de pelos castanhos que de patas fortes, mas um coração ainda maior. Ele ouviu o choro dos patinhos e veio depressa ajudar. Benjamin, este era seu nome de batismo, observou a pedra, olhou-a alguns segundos com seus lindos olhos verdes, firmou os pés no chão e encostou o ombro nela. Os patinhos grasnavam animados, batendo as asinhas para mostrar por onde a pedra devia ir. Ben empurrou com toda a sua força. A pedra tremeu, rangeu e, de repente, crrrac... vuuuush!

Um fio de água surgiu primeiro, depois outro, até o riacho voltar a correr alegre e cintilante. A lagoa encheu de novo, os patinhos saltaram de felicidade e a Família Pato comemorou com grasnados contentes “quéc-quéc”..... “quaaack!” “quóóó-quó”.

Logo, toda a floresta foi beneficiada: os coelhos beberam água, os passarinhos se banharam, os veadinhos se refrescaram, o Rei Leão, a Sra. Vaca todos se beneficiaram.

Naquele dia, todos aprenderam que a força usada para o bem, junto com a cooperação, faz a natureza voltar a sorrir em harmonia.

Viva o grande Urso Benjamim!

O Ursinho herói

 


O Ursinho herói

                                                                                                 Vovô Jorge Luiz  

Era uma vez um ursinho muito gentil chamado Ben. Ben tinha pelos marrons, macios como uma nuvem, e usava um cachecol azul bem fofinho. Ele adorava caminhar pela floresta verde, sentindo o cheiro das flores e ouvindo o som dos passarinhos: piu-piu, piu-piu, tióóó… tióóó…”, “turuí-turuí”.

Enquanto passeava, Ben encontrou um novo amigo: o coelhinho Pipo. Pipo estava muito preocupado. Ele tentava colher maçãs vermelhas e brilhantes de uma árvore bem alta, mas não conseguia alcançar. Pipo pulava com suas patinhas brancas: pula, pula, pula. Mas a macieira era alta demais, e Pipo era pequenino demais.

"Eu ajudo você, Pipo!", disse Ben com um sorriso calmo.

Ben se aproximou da árvore e esticou seus braços fortes. Pipo, então, subiu nas costas fofinhas de Ben. Com a altura de Bem, um Urso forte comilão e as patinhas rápidas de Pipo, eles alcançaram os galhos mais carregados. Ploc, ploc, ploc! As maçãs caíam direto no cestinho de palha. Eram maçãs docinhas, cheirosas e muito vermelhas.

Juntos, eles trabalharam com alegria. Logo, o cesto estava cheinho! Outros animais apareceram para ver: o esquilo marrom, a borboleta amarela, o macaco Simão e Claudinha a cachorrinha do Otto. Todos ganharam um pedaço da fruta deliciosa.

Pipo deu um abraço apertado em Ben e disse: "Obrigado, amigo!". Ben ficou muito feliz. Ele aprendeu que, quando ajudamos uns aos outros e trabalhamos em equipe, qualquer tarefa vira uma grande diversão. E assim, a floresta ficou ainda mais colorida e feliz naquele dia.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Pinóquio: resumo e análise da história

 

Pinóquio: resumo e análise da história

Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura.

Pinóquio é um dos personagens mais conhecidos da literatura infantil. A história do boneco de madeira que ganha vida, escrita em meados do século XIX, foi criada na Itália por Carlo Collodi (1826 - 1890) e traduzida para o mundo inteiro, ganhando uma série de adaptações.


História

Era uma vez um senhor chamado Gepeto que morava em um quartinho. Ele vivia sozinho em sua casa e tinha como hobby trabalhar com madeira.

Uma das suas invenções foi um boneco articulado para lhe fazer companhia que sabia dançar, lutar esgrima e dar saltos mortais. Depois de terminar a criação, Gepeto suspirou e disse:

- Seu, nome será Pinóquio - disse ele, ao terminar o boneco. - Pena que não possa nem falar! Mas não faz mal. Mesmo assim, será meu amigo!


Pinóquio ganha vida

Alguns dias mais tarde, durante a noite, a Fada Azul foi visitar o boneco de madeira e ao dizer "Pimbinlimpimpim" lhe deu vida.

Pinóquio, que era agora capaz de falar e andar, agradeceu imensamente a Fada Azul porque o solitário Gepeto teria com quem conversar.

Ao acordar Gepeto não conseguia acreditar no que estava acontecendo e achou a princípio que estaria sonhando. Afinal se convenceu que se tratava mesmo da vida real e agradeceu o destino, prometendo que Pinóquio seria seu filho.

A educação de Pinóquio

E assim Gepeto passou a tratar Pinóquio: como um filho. Matriculou-o na escola assim que pode. O travesso Pinóquio, no entanto, não gostava muito de estudar:

vão me mandar para a escola e por bem ou por mal terei que estudar; e eu, para ser bem sincero com você, não tenho a menor vontade de estudar e me divirto mais correndo atrás das borboletas e subindo nas árvores para apanhar os pássaros nos ninhos

É na escola que o boneco de madeira animado interage com crianças e percebe que não é bem um ser humano.

As aventuras de Pinóquio

Ao longo dos fascículos criados por Carlo Collodi vemos o boneco de madeira amadurecer e aprender a vencer uma série de tentações. Ele está muitas vezes acompanhado do Grilo Falante, que é uma espécie de consciência que o indica o caminho certo que deve seguir.


Ao longo das suas aventuras, Pinóquio se mete em uma série de enrascadas - mente para o pai, foge da escola, se envolve com más companhia - mas acaba sempre sendo salvo pela Fada Azul que o protege e o direciona para o caminho certo.

Personagens principais

Gepeto


Pai do Pinóquio, Geppetto era um carpinteiro solitário que um belo dia resolveu construir um boneco de madeira articulado para lhe fazer companhia.

Um homem íntegro e de bom coração, o entalhador passava seus dias sozinho até a chegada de Pinóquio, que passa a amar como um filho.

Pinóquio


Travesso, curioso, arteiro, Pinóquio ama seu pai Gepeto acima de tudo. Contestador, o menino não quer crescer e acaba se colocando em uma série de enrascadas devido à sua imaturidade.

Fada Azul


É ela que realizado o desejo de Gepeto e dá vida ao boneco de madeira feito pelo carpinteiro. Depois de dizer Pimbinlimpimpim, Pinóquio ganha corpo e alma.

Grilo Falante


É a voz da consciência de Pinóquio. Diz tudo aquilo que o boneco de madeira deveria saber para fazer escolhas maduras e responsáveis. O Grilo Falante representa a sabedoria.

Lições

Nunca devemos mentir

Cada vez que Pinóquio mente, o seu nariz cresce - ainda que muitas das vezes Pinóquio minta de modo impensado e apenas para se proteger.

Esse impulso para a mentira acomete especialmente crianças entre quatro e cinco anos, por isso a história fala especialmente a esse público etário. Ao ler a narrativa a criança percebe que a mentira tem perna curta e, mais cedo ou mais tarde, a verdade virá à tona.

Também aprendemos com Pinóquio que é sempre possível se arrepender e que esse arrependimento pode nos trazer recompensas positivas.

O amor entre pais e filhos não é uma questão de sangue

Gepeto ama com todo o seu coração Pinóquio, o filho que tanto desejou. Ainda que não seja propriamente sangue do seu sangue, é com Pinóquio que compartilha o seu tempo e a sua vida demonstrando dedicação total e absoluta.

Pinóquio também mantém um vínculo de amor infinito com o seu criador, apesar de muitas vezes se rebelar contra ele como qualquer criança.


A história de amor entre pai e filho demonstra igualmente que sempre devemos respeitar e obedecer os mais velhos. Gepeto tenta sempre encaminhar Pinóquio para o melhor caminho.

Estudar é preciso

Na época em que Pinóquio foi escrito a Itália vivia mergulhada num analfabetismo profundo e os pais sabiam que encaminhar seus filhos para a escola era das poucas maneiras de oferecer-lhes um futuro melhor.

Não por acaso Gepeto obriga o filho de madeira a frequentar a escola e acredita que a educação é uma maneira de nos libertar. O conhecimento não só nos instrui a tomar boas decisões como também garante um amanhã onde podemos ter em mãos uma série de escolhas.


Pinóquio a princípio discorda do pai e acha a escola uma chatice. O Grilo Falante, no entanto, já no princípio da história ensina o pequeno boneco de madeira:

(Grilo) - Se não lhe agrada ter que ir à escola, por que não aprende pelo menos um ofício, para poder ganhar honestamente o pão de cada dia?
- Quer que eu lhe diga? - replicou Pinóquio (...) - De todas as profissões do mundo só há uma que me agrada.
- E qual seria?...
- A de comer, beber, dormir, me divertir e levar o dia inteiro na vagabundagem.
- Para seu conhecimento - disse o Grilo Falante com sua calma habitual -, todos os que abraçam esse ofício acabam sempre no hospital ou na prisão.

Ao longo da narrativa uma série de vezes o boneco de madeira é instruído por Gepeto ou por outros personagens a insistir nos estudos - ainda que naquele momento Pinóquio não tenha nenhuma vontade.

O conto ressalta a importância de estudar para conseguir chegar a algum lugar na vida e ser independente.

Filmes

Pinóquio - versão Disney (1940)

A adaptação da Disney foi uma das grandes responsáveis por divulgar o personagem Pinóquio ao mundo, muito embora o longa metragem tenha feito uma série de alterações na história original.

A produção norte-americana é voltada para crianças, tem 88 minutos de duração e foi lançada em fevereiro de 1940 se tornando um clássico.

O filme recebeu dois Óscares naquele ano (de melhor trilha sonora e melhor música por When you wish upon a star).

Pinóquio 3000

A história lançada em 2004 se inspira no clássico de Carlo Collodi embora faça uma série de alterações significativas no roteiro.

Nessa versão futurista de Pinóquio o menino não é um boneco de madeira e sim um robot (ROBÔ) criado por Gepeto - a dupla vive em Scamboville no ano 3000.

Conheça o trailer da animação computadorizada: (81) Pinnochio 3000 - Official Trailer - YouTube

A origem de Pinóquio

Carlo Collodi (1826 - 1890), pseudônimo de Carlo Lorenzini, foi o criador desse clássico da literatura infantil. Uma curiosidade: o sobrenome do pseudônimo é o nome da cidade de origem da mãe do autor.


Retrato de Carlo Collodi (1826 - 1890)

Carlo estudou em um seminário, mas acabou por se tornar livreiro, tradutor, escritor e jornalista. Ele começou a escrever depois de aceitar o desafio de traduzir os contos infantis de Charles Perrault para o italiano.

Entre uma série de histórias, escreveu, aos 55 anos, As aventuras de Pinocchio e publicou o primeiro capítulo em 1881 em uma revista infantil. A continuação da história foi publicada em fascículos tendo sido muito bem recebida pelo público e ocupado três anos da sua vida.

A narrativa fez tanto sucesso que logo foi traduzida para outros países. Com o passar das décadas a história veio ganhando uma série de adaptações para o audiovisual e para o teatro.

Livro Pinóquio às Avessas

Escrito por Rubem Alves com ilustrações de Maurício de Souza, o livro Pinóquio às Avessas se distancia bastante da história original. A nova obra procura fazer uma crítica ao método de ensino tradicional instigando o leitor a pensar uma educação por métodos diferentes.

O protagonista Felipe é colocado em uma tradicional e cara escola pelo seu pai. O objetivo era que o menino aprendesse o máximo para ser bem sucedido no vestibular e alcançar uma bem remunerada profissão.


A verdade é que Felipe não se enquadra bem na nova escola porque tem interesses distintos (quer saber mais sobre os animais, compreender a gênese dos passarinhos). Desmotivado, acaba por seguir a risca o plano do pai e se torna um adulto infeliz e vazio.

A história de Rubem Alves nos desafia a pensar como o ensino tradicional muitas vezes oprime o aluno e retira a sua alegria de aprender.

VOCÊ VAI CONHECER OUTRAS HISTÓRIAS BACANAS 

sábado, 6 de maio de 2023

Dez dicas que o ajudarão a virar um grande contador de histórias:


                            Dez dicas que o ajudarão a virar um grande contador de histórias:

                                                                            PORTÁCIO, Nilda e MUNIZ, Jorge Luiz

1 – Escolha das histórias. Escolha não apenas uma história que você goste ou gostava de ouvir. Verifique o gosto do seu público-alvo. Para coagir os ouvinte é necessário gostar do que se lê;

2 – Entenda que a leitura de um texto não se esgota em uma primeira leitura. A criança descobre mais detalhes, para a ter outros entendimentos, novas possibilidades a cada vez que você lê uma história para ela;

3 – Faça mesancênios. Convide a criança a mergulhar na aventura, a se surpreender e mesmo tentar adivinhar o que esta por vir. Crie um momento agradável;

4 – Não explique nem justifique. O texto, a história por si mesmo se bastam. Lembre-se de que a experiência com a escuta deve iniciar e terminar com a própria narrativa;

5 – Experimente, aos poucos, dividir com as crianças a narrativa e as falas dos personagens da história;

6 – Cuidado para não falhar na entonação, ou entoação, de vírgula(s) e ponto(s). Elas sã diferentes;

7 – Escolha um local adequado. Crie um ambiente propício;

8 – Vista algo que chame a atenção dos interlocutores;

9 – Tente imitar a voz dos personagens;

10 – É importante que a(s) criança(s) interaja(m), que participe(m).

Prof. Jorge Luiz Profa. Nilda Portácio

Sítio do Picapau Amarelo - Monteiro Lobato

 


LEIA O E-BOOK COMPLETO GRATIS 







AS AVENTURAS DO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO DE Monteiro Lobato representaram um novo rumo, um marco de qualidade e inovação na literatura produzida para crianças.

 

Antes de Lobato, os livros nacionais priorizavam questões morais e patrióticas, acreditando que a ênfase na fantasia prejudicaria o desenvolvimento da criança. O sonho e a imaginação surgiram em 1921, com A menina do narizinho arrebitado — mais tarde reescrito com novas aventuras e publicado com o título Reinações de Narizinho, em 1931. E, desde então, o real e o imaginário ocupam o mesmo espaço: bonecos falam, bichos falam, fazem viagens maravilhosas com o pó de pirlimpimpim, e as duas adultas, Dona Benta e Tia Nastácia, aceitam e participam desse mundo de sonho.

 

A linguagem informal foi outra inovação nos livros do escritor: o tom coloquial nos diálogos, sem “literatices”, mas com gírias e neologismos, como em Reinações de Narizinho:

                                     



 E canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo.

 

Lobato surpreendeu ao apresentar temas considerados sérios para crianças, como a Segunda Guerra Mundial. O escritor viveu na época das grandes guerras, tema recorrente em seus livros. Até em Os 12 trabalhos de Hércules os personagens abordam o assunto com o herói, que fica perplexo

      



— Mas então a vida lá no tal mundo moderno é um horror. Se chovem sobre as cidades bombas do céu, como se arranjam as mulheres e as crianças?

— Vão todas para o beleléu. Ficam reduzidas a farelo. (...) Cidades inteiras desaparecem em horas.

 

 Lobato também inovou ao criar, na década de 1920, personagens crianças que dialogam com adultos de igual para igual e são sujeitos da ação. Narizinho, Emília, Pedrinho e Visconde tomam decisões e solucionam os problemas. Em O Picapau Amarelo, Dona Benta não consegue comprar as terras dos fazendeiros vizinhos que pedem o dobro do valor. Emília e Visconde seguem para o bar do Elias e lá espalham uma grande mentira:

 


                                     

— Brincadeira nada! Dona Benta não brinca. Vai fazer aqui a maior criação de feras do mundo. Chegam agora esses 200 rinocerontes ferocíssimos! Depois vêm os leões que estão sendo caçados, 300 leões! (...)

Ao ouvirem, os proprietários mudam de ideia:

— E esta, compadre! Se o raio da velha vai mesmo fazer isso, nossas fazendas, que já pouco valem, ficarão valendo ainda menos! Aquilo que o pelotinho de gente disse é certo! Os animais têm um medo horrível das onças e outras feras! (...) O melhor é aceitarmos a proposta da velha!


 



 

 


domingo, 27 de novembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E LITERATURA INFANTIL

              


                         A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E LITERATURA INFANTIL                                                                                                                    RENATA DE SOUZA
A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. "Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano."

Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-la, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender.

Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento.
A professora e autora Maria Helena Martins chama a atenção para um contato sensorial com o objeto livro, que, segundo ela, revela "um prazer singular" na criança. Na leitura, por meio dos sentidos, a criança é atraída pela curiosidade, pelo formato, pelo manuseio fácil e pelas possibilidades emotivas que o livro pode conter. A autora comenta que "esse jogo com o universo escondido no livro "pode estimular no pequeno leitor a descoberta e o aprimoramento da linguagem, desenvolvendo sua capacidade de comunicação com o mundo.

Esses primeiros contatos despertam na criança o desejo de concretizar o ato de ler o texto escrito, facilitando o processo de alfabetização. A possibilidade de que essa experiência sensorial ocorra será maior quanto mais freqüente for o contato da criança com o livro.

Às crianças brasileiras, o acesso ao livro é dificultado por uma conjunção de fatores sociais, econômicos e políticos. São raras as bibliotecas escolares. As existentes não dispõem de um acervo adequado, e/ou de profissionais aptos a orientar o público infantil no sentido de um contato agradável e propício com os livros.

Mais raras ainda são as bibliotecas domésticas. Os pais, quando se interessam em comprar livros, muitas vezes os escolhem pela capa por falta de uma orientação direcionada às preferências das crianças.
É de extrema importância para os pais e educadores discutir o que é leitura, a importância do livro no processo de formação do leitor, bem como, o ensino da literatura infantil como processo para o desenvolvimento do leitor crítico.

Podemos tomar as orientações da professora Regina Zilberman, estudiosa em literatura infanto-juvenil e leitura, como forma de motivarmos as crianças e os jovens ao hábito de ler: abordar as relações entre a literatura e ensino legitimando a função da leitura, sugerindo livros, assim como atividades didáticas, a fim de alcançar o uso da obra literária em sala de aula e nas suas casas com objetivos cognitivos, e não apenas pedagógicos; considerar o confronto entre a criação para crianças e o livro didático, tornando o último passível de uma visão crítica e o primeiro ponto de partida para a consideração dos interesses do leitor e da importância da leitura como desencadeadora de uma postura reflexiva perante a realidade.

Assim, com relação à leitura e à literatura infantil, pais e professores devem explorar a função educacional do texto literário: ficção e poesia por meio da seleção e análise de livros infantis; do desenvolvimento do lúdico e do domínio da linguagem; do trabalho com projetos de literatura infantil em sala de aula, utilizando as histórias infantis como caminho para o ensino multidisciplinar.

Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.